quarta-feira, 7 de março de 2012

"Eu perdôo mas não esqueço"

Essa frase ficou martelando na minha mente por meses. Ouvi de bicão em uma conversa alheia, enquanto estacionava o carro na garagem. Fiquei pensando sobre o assunto, se concordava com a máxima ou se a desprezava. Afinal, perdoar é esquecer?

Optei pelo desprezo logo de início. Como seria possível perdoar alguém por algo que tenha feito sem esquecer completamente o que desencadeou a necessidade do perdão? Não me parece lógico. Afinal, o perdão tem a ver com confiança. Como confiar novamente, perdoar alguém, tendo na memória a cena que trouxe à tona todas as perguntas sobre a idoneidade e a validade de perdoar?

A dialética grita, acenando que, se você não é capaz de esquecer, não é capaz de perdoar. Seja lá o que for: o não recebido, o maltrato sofrido, a má educação tolerada, a agressão suportada.

Contudo, depois da fase fundamentalista sobre o tema, também cheguei à conclusão que perdoar sem esquecer é possível. Veja o recente caso ocorrido na cidade de Cunha (matéria aqui e vídeo aqui).  Como esquecer um acontecimento dessa proporção? Impossível. Mas, pelo depoimento do Sr. José Benedito de Oliveira, é possível perdoar sem esquecer. Contudo é necessário um tanto de evolução pessoal para conseguir tal feito.

Ainda assim, insisto que, por mais que seja difícil de esquecer determinadas coisas, o perdão completo (se é que isso existe) só se dá quando a lembrança indesejável já não existe mais. Afinal, a natureza humana está pronta para a qualquer momento resgatar o acontecido e utilizar contra quem realizou o ato.

Ou seja, acredito que é dever daquele que diz ter perdoado, mesmo que não tenha esquecido, agir de modo digno, nunca mais tocando no assunto. O perdão é a alforria do culpado e a altivez do ferido.

Por isso considero aqueles que conseguem perdoar verdadeiramente e, se possível, esquecer, seres evoluídos. Quem sabe, um dia, chegamos lá.

4 comentários:

  1. Quando penso no perdão como uma escolha, acredito e concordo com a máxima acima. Não que seja fácil, mas é uma decisão minha. Agora esquecer... Quem sabe, um dia, chego lá! ;)

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  2. Acho que o perdão é voluntário, enquanto não temos controle nenhum sobre a memória. Ou nada a ver? =P

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  3. Acho que o perdão sempre será uma escolha. Concordo com vocês. Contudo, é uma escolha pela resignação se você não for capaz de esquecer o que causou a necessidade do perdão... Não?

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  4. Não se esquece algo que causou dor, por instinto de proteção, mas pode-se escolher dar menos ou nenhuma importância a essa memória em função de algo maior, como o amor que se sente. Daí vem o perdão...

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